segunda-feira, 18 de maio de 2020

Os desafios da Escola no limiar do século XX



Vivemos numa época de mudanças. Se o século XX era chamado de “o século da produção de massa”, o século XXI, ganha novas denominações: “era da globalização”, “era da informação”, “sociedade do conhecimento”, “sociedade do espetáculo”, “sociedade das ilusões”, entre outros.
Nesse breve texto, convido você a refletir acerca das questões que mais impactam a nossa prática pedagógica e alguns desafios que se colocam em nosso cotidiano na contemporaneidade.
Observamos que no mundo atual as relações entre a sociedade e o espaço são mediadas, cada vez mais, pela tecnologia da informação. Ao mesmo tempo em que essas tecnologias conectam pessoas em vários lugares do mundo, ampliam significativamente as desigualdades entre pessoas, mercados e países.
Estamos diante de um mundo que nos surpreende com novas formas de organização de produção e de consumo, novas tecnologias, novos conflitos que redefinem as relações de poder entre os países, e, novas relações entre as pessoas.
Os reflexos dessa sociedade fragmentada se mostram principalmente na Escola, pois como nos diz, Alfredo Veiga Neto quando questionado sobre a crise que assola a Educação, “a crise que se sente na educação é a manifestação de uma crise maior, mais ampla: a grande crise de esgotamento dos valores, das formas de pensar e estar no mundo que foram constituídas na modernidade” (VEIGA NETO, Alfredo & LOPES, Maura Corcini. Os Meninos. Texto apresentado no Simpósio Luso-Brasileiro de Currículo, Rio de Janeiro, 2004).
Consideramos que seja relevante também descrever um pouco o contexto dos jovens, aqueles que estão diretamente na escola. O jovem de hoje se encontra conectado ao mundo virtual, geração denominada por muitos estudiosos, como a “Geração Homo Zappiens”, os chamados nativos digitais.
Mas o aspecto mais inquietante para nós é observar que em meio a tudo isto, o jovem não consegue, digamos assim, utilizando a linguagem computacional, se conectar com profundidade. Ao mesmo tempo em que estão mergulhados no ciberespaço, com dezenas de amigos nas redes sociais, muitos se encontram solitários. Ao mesmo tempo em que curtem várias fotos, pensamentos e palavras de seus “conhecidos virtuais” ou “seguidores”, eles não curtem o diálogo com seus pais ou com os mais próximos.
Temos claro que este cenário é fruto de um esfacelamento dos relacionamentos sociais e familiares, que causa o vazio e o empobrecimento de amizades, sensação de desamparo e incompletude. É a sensação de estar só perante a multidão, com a falta de vínculos afetivos parentais, numa sociedade marcada pelas superficialidades nas relações. O que muitos estudiosos, denominam de “Cultura do Narcisismo”, “onde o indivíduo debate-se numa acirrada competição para ter direito a um ´lugar ao sol´, onde predomina a ´lei do mais capaz´, ou pelo menos, a lei daquele que aparenta ser bem-sucedido”.
Mas o que Escola tem a ver com tudo isto?
Acreditamos que a escola tem um importante papel frente a este cenário. É para este contexto que a escola precisa buscar respostas e contribuir para que tudo isto seja transformado. Eis o grande desafio: construir uma outra escola. Uma escola que procure “dar uma resposta ao novo perfil de juventude, ao novo perfil de família, às novas exigências da sociedade”.
Acreditamos que a educação é um processo de formação, de construção contínua, de socialização, de criação, de partilha e de produção do conhecimento, onde a educação tem de ser acima de tudo “uma crítica à cultura”, aos “valores” predominantes, não sempre justos nem adequados”, e na maioria das vezes altamente excludente e desigual.

M.Sc. Delamare de Oliveira Filho


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